Uma tarde na loja de roupas de Surf

Dia desses peguei-me lembrando de uma época curiosa na vida. Quando eu tinha meus 16 ou 17 anos e frequentava shoppings com mais assiduidade do que hoje em dia, sem ter um puto no bolso.

E aí naquelas de andar pra lá e pra cá e na companhia de amigos, fui parar certa vez em uma loja da Tent Beach em um determinado shopping da zona oeste de São Paulo. Eu confesso que nunca havia entrado em um estabelecimento tão curioso até então. Sempre usei roupas menos cheia de marcas e quando comprava de marcas, geralmente eram menos conhecidas como as que vendem em lojas de Surf.

Enfim, a experiência começou promissora já na porta quando um simpático rapaz de regata e gel no cabelo vinha amistosamente:

– E ai brother, comprar umas camisetas? Umas berma da hora?

Eu acompanhava um colega que respondeu:

– Só dando uma olhada mesmo.

– Pô, se precisar de alguma coisa, me chama, sou o Cristiano, mas pode chamar o Cris, valeu? Como você chama?

– Eu sou o Valdir (Nome fictício pois não lembro quem eu acompanhava na ocasião)

Alguns minutos passaram e meu amigo olhava de gondola em gondola enquanto, Cris, observava e soltava algumas observações:

– Essa daí é maneira, tenho umas da Da Hui também se você quiser. Leva lá Valdirzão, você vai se amarrar.

– Ah legal, beleza…

– Se liga essa aqui, lôca né?! Experimenta ali, você vai curtir. Disse enquanto colocava uma camiseta amarela e cheia de ornamentos havaianos na mão do meu amigo. — Ó, leva essa aqui também, você vai achar irada, combina com uns boné da Fubu que eu tenho ali, pode experimentar de boa mesmo, Valdir, leva e experimenta, se não gostar deixa lá.

Eu apenas observava, me imaginando na condição do vendedor, sendo extremamente simpático e atencioso. Acho que não conseguiria entrar tão bem no personagem praieiro como fazia aquele rapaz. E repetindo em tão pouco tempo o nome do meu colega, parecendo ser um velho amigo dele de anos.

‘’Valdir’’ então, que só viera buscar uma camiseta nova, foi até o provador com aproximadamente seis camisetas, três bermudas e um tênis da Redley, que na época a turma usava sem cadarço.

Voltou praticamente paramentado. Parecia uma palhaço. Definitivamente não combinava nada com ele a junção de camiseta amarela, bermuda vinho e um tênis esverdeado.

– PÔÔÔÔ VALDIRZÃO, ficou irado hein? Caiu bem demais em você essa berma. Observou o animado Cris demonstrando talento para venda.

– Bacana, mas vou levar só aquela lá… E ‘Valdir’ apontou uma camiseta branca simples que ele próprio havia escolhido.

– Vai ficar lindona em você, você vai ver Valdir. E pra você, não quer nada não? Me perguntou o vendedor.

– Não, tô tranquilo. Respondi.

– Demoro então rapaziada, guenta aí que vou fazer o pacote pra vocês, firmeza? Se quiser ver mais alguma coisa pega aí Valdir, qualquer coisa me chama.

Na saída, quase deu vontade de sair e tomar um guaraná e falar da vida com o animado Cris, ele realmente parecia ser nosso melhor amigo de anos e ainda tentou mais algumas vezes enquanto nos entregava a sacola, mais alguns contatos próximos.

Deste dia em diante, acho que pisei mais uma ou duas vezes em lojas do gênero, e sempre era atendido por uma versão diferente do “Cris”, sempre simpáticos e atenciosos, nossos melhores amigos.

Não sei se hoje ainda é assim, mas se você é uma pessoa carente ou está chateado com a vida, procure ir a uma loja de roupas de surf.

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