É mais do que justa toda homenagem feita para Ayrton Senna

Eu vi Senna.
Vi pouco, mas vi.

Naquele primeiro de maio eu estava vendo sozinho, meus pais cozinhavam o almoço e eu estava vendo. Tinha quase seis anos na época e tinha em Senna uma imagem de um esportista vencedor, que valia a pena acompanhar e torcer. Assim como meu time na época que ganhava mais do que perdia, o mesmo acontecia com Senna e despertava o interesse em ver.

Não fazia tanto tempo, tinha achado o maior barato a vitória dele em Interlagos em 1993 quando o pessoal invadiu a pista, carregou ele nos braços e fez uma tremenda festa, aquilo me mostrou que aquele era um cara legal, alguém que valia a pena torcer junto. Eu não entendia nada de F1, nada de carro e nada de esporte, só sabia que quase toda semana aquele cara vencia e a musiquinha que todo menciona tocava.

Diferente de todo mundo que diz que assistia “a todas as corridas”, eu não lembro de assistir a todas, mas acompanhava quando passava, ele sempre estava lá, era como alguém próximo em quem o Brasileiro poderia confiar, era uma alegria frequente. Era ótimo ter essa sensação. Por isso tudo, que naquele dia ao ver o que estava acontecendo eu rezei, eu corri no quarto da minha mãe e pedi para uma imagem de Nsa Sra de Aparecida para ajudar o Senna. Ele tinha acabado de bater, as pessoas ainda achavam que tudo acabaria bem, mas eu corri lá e tentei fazer a minha parte. Infelizmente não deu. Fiquei bem chateado ao longo daquele dia e foi uma das primeiras lições de vida e morte que tive ao longo dos anos.

Mais velho e entendendo melhor as coisas, consegui ter a dimensão do tamanho dele e de como ele era importante para o brasileiro que não tinha vitórias frequentes, para aquele povo que via mais derrotas do que conquistas e não eram apenas vitórias eram SUPER vitórias, era a representação do que todo mundo queria. Foram quase 10 anos de um país que acompanhava um sujeito que era ambicioso, era ousado, bastante capaz e fazia questão de mostrar que era. Ele ganhava muito por ele mesmo, mas sempre que ganhava levava uma bandeira do Brasil e mostrava orgulho de seu povo diante do mundo todo.

Como alguém disse ontem na TV, ele vai ser pra sempre o herói brasileiro. Vai ser eternamente piloto e vencedor, é o legado e a memória que ele deixou. Talvez tenha sido melhor assim. Será que se tivesse seguido adiante ele teria decepcionado a todos nós de alguma forma? Será que ele teria sido julgado pelos atuais tribunais da internet cheios de donos da verdade? Será que toda sua trajetória seria descartada por um deslize em um dia ruim. Ou será até que hoje em dia ele não seria tido como um “cara arrogante que se acha muito e nem é tudo isso, é um mimado que não aceita perder e nunca foi grande coisa”? Creio pessoalmente que ele não.

Ele era uma pessoa incomum. Aparentava sempre ter um coração e um caráter decente, apenas quem o conheceu e quem conviveu com ele pode afirmar. Pelo que dizem, era um ser humano e como tal, teve de ir. Talvez um pouco cedo demais. Mas creio que cumpriu sua missão. Ajudou muita gente direta e indiretamente,seja com projetos sociais, seja como um espelho de sucesso ou seja com esperança.

Alguém que parte e 25 anos depois gera a ano após ano a mesma comoção, é porque algo realmente gigantesco ele fez.

Se você não viu Senna ou viu menos do que eu, saiba que sim, ele foi incomparável. Gigantesco. Merecedor de cada homenagem que é feita e que será feita daqui a 25, 50, 100 anos.

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