Marília Mendonça que me desculpe, mas a rainha da sofrência é a Adryana Ribeiro

ALERTA: Coloque o fone de ouvido e vem comigo nesse post.

Recentemente um fenômeno conquistou o país, o “feminejo”. E um dos maiores ícones desse movimento é sem dúvida alguma, a Marília Mendonça.

Suas músicas falam de gente como a gente, que sofrem, choram e bebem por conta de desilusão amorosa e fazem a cada história contada nas letras um verdadeiro hino de superação de uma dor de chifre, graças a suas hits como “Eu sei de Cor”, “Amante não tem lar” ou um dos mais recentes sucessos: “Ciumeira” que tornam inegável o trono dela como o maior nome atual da chamada ‘sofrência’.

O que pouca gente se lembra, e vale uma reflexão, é que outra loira despontou no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 com um vozeirão enorme e cantando letras de puro amor, sofrimento, desencontros e desilusão.

Trata-se da paulistana Adryana Ribeiro, que surgiu como uma revelação no meio do samba no início de década mas só explodiu mesmo ao lado do saudoso conjunto Adryana e a Rapaziada, que misturava samba, pagode e vocais bem harmonizados (o charme da “Rapaziada”, que tinha um quêzinho de Sampa Crew). Destaque para a belíssima “Só Faltava Você” que era presença marcante em programas de auditório da época.

Mas nem tudo eram flores nas letras cantadas por eles.

Uma rápida análise nos faz voltar no tempo e perceber que diferente do que muita gente poderia achar, a maior parte das músicas do grupo falavam de amores fracassados e o sofrimento que isso causou.

Por exemplo, o disco de estreia deles com as seguintes faixas:

Como dá para perceber, há algumas com nomes sugestivos como “Me ajude a te esquecer”, “Vazio”, “Separação”, “Chega de Papo Furado” e outro grande hit do grupo: “Tudo Passa”.

Essa foi a segunda música a tocar bastante nas rádios e diferente de “Só Faltava Você”, a letra dessa música já tinha uma coisa mais sombria e narrava um amor que chegava ao final.

Tudo na vida passa
(Tudo na vida passa!)
Só não me passa você
(Só não me passa você!)
Saudade não tem graça
E eu
Vou tentando te esquecer…

Deixa eu ficar do seu lado
E devagarinho te ouvir dizer
(Dizer o quê?)
Que ainda vai ter uma chance
Desse romance acontecer…

Ah! Não vá me dizer adeus
(Dizer adeus!)
Meu coração me prometeu
(Me prometeu!)
Que nunca ia dar errado
O nosso caso…

Até aí tudo bem, quem nunca, não é mesmo?

Até que veio o disco seguinte e logo na primeira faixa uma PEDRADA que desgraça a cabeça de quem ouve. “Fim da Noite” — que viraria um dos maiores clássicos do grupo nos anos seguintes — tem uma letra que toca fundo e um vocal que você consegue perceber toda a sofrência empregada por Adryana na sua interpretação.

No fim da noite
Que eu não quis você
Que eu tinha
Todo o tempo pra viver
Que o meu coração
Foi despertar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
Na solidão!
Eu descobri
Que nada sei de mim
Eu digo “não”
Mas eu te amo, sim
E sem você
Não sei nem me cuidar

Dá o play aqui e sofra comigo:

A rigor seria isso:

Você pode ler tudo isso e pensar: “só pode ser coincidência, você tá viajando, todo artista que canta música romântica manda umas sofrências de vez em quando”. Eu tenho que concordar, mas no caso de Adryana, ela fez isso com uma frequência e uma entrega que nos faz crer que ela merecia todo crédito por ser uma cantora que sofre para nos fazer sorrir, como faz Marília hoje em dia.

E uma outra prova disso é essa parceria com o sempre alegre grupo Raça Negra, onde ela canta (veja você) uma música de dor de amor chamada “Sempre Sou Eu”, gravada antes da fase ao lado da Rapaziada. Aliás, para muitos uma música injustiçada que merecia mais destaque na lembrança dos amantes de pagode dos anos 1990.

É, mais uma vez estou chorando
Por causa de você
É, eu não estou mas aguentando
Você parece que não vê, não vê

Não vê que eu te amo
Estou carente, precisando de você
Me faz sentir culpada
E dos seus erros, você não que saber

Parece que nesse amor quem ama
Sempre sou eu
Pra você tanto faz, me entrego demais
Você nem liga.

Sente o drama:

Ok, parece que acabou por aí?

Não, meu caro leitor.

A parceria entre Adryana e a Rapaziada acabou, voltou, acabou de novo e entre idas e vindas, ela se lançou mais uma vez em carreira solo e daí saiu mais um clássico que se você estiver num momento delicado da vida, eu recomendo nem ouvir porque vai mexer com o sentimento bem lá no fundo.

Trata-se da singela “Saudade Vem”, cujo refrão é:

Saudade vem
E deita do meu lado em teu lugar
E diz pra mim
Que, mesmo que eu não queira, eu vou te amar

Vem comigo e dá o play:

Um tempo depois lançou “Ata ou Desata”, que não chegou a estourar, mas era um dos singles de trabalho e óbvio, era uma tragédia de relação cantada pela bela voz de Adryana:

Tá tentando não me machucar
Me abandonando devagar
Esse papo não tem nada a ver
Não, não vai colar

Chegamos então ao ano de 2018 quando ela retomou a carreira solo sem a sua rapaziada e lançou dois novos singles “Coração de Aço”, onde ela se vê gamada em alguém que simplesmente não está na mesma vibe:

E agora o que eu faço

Com tanto sentimento

Embrulho pra viagem

Com adicional de saudade

Cê pode ter um coração de aço

Pra minha sorte o meu é de imã

Quando mais você foge se esconde

Mais eu puxo Sua vida pra minha vida

Também lançou “Ex”, que conta o sofrimento pesado de uma relação pra lá de abusiva que felizmente ela conseguiu dar a volta por cima e se livrar do picareta:

Na sala eu chorava baixinho
Pedindo carinho e você nem se quer me procurou
Se eu ligasse já me xingava
Desligava na cara e me diz se isso é amor

Eu em casa você na rua
Te chamando pedindo ajuda
Eu sempre te ligando e você nada de atender
E ai conheci outra pessoa e vi que não era atoa
Depois de tudo que fez

Me desculpe mais agora você é ex
Ex ex ex
Me desculpe mais agora você é ex
Ex ex ex

Ouça ela aqui:

Pra rebater toda essa sofreguidão, ela também lançou uma animada “Baile do Beija Beija” que sinceramente eu espero que seja uma nova fase onde ela vai concretizar essa merecida volta por cima e curtir a beijação, conforme diz a letra da música:

Adryana Ribeiro vai te ajudar

‘Vamo’ então aproveitar

As parceiras, as solteiras podem se soltar

Hoje o bicho vai pegar!

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