Crônica – Em 2020 resolvi ser uma pessoa pior, para meu próprio bem

Entra ano e sai ano e é sempre a mesma coisa. Todo mundo resolve que no “ano que vem as coisas vão ser diferentes”. Tem gente que quer cuidar da saúde e entra numa academia, tem aqueles que falam que vão mudar a rotina pra tentar ser uma pessoa mais bonitinha, boazinha, caridosa e também tem gente que diz que vai mudar de emprego, que vai se dedicar melhor pra profissão e blá blá blá. Você com certeza conhece alguém assim ou pode ser que você mesmo seja essa pessoa. Eu mesmo já fui essa pessoa várias vezes.

As boas vibes de final de ano misturado com o clima de fim de temporada de seriado americano e a sensação de que ao virar para 01 de janeiro a vida será como reiniciar o computador depois de uma atualização, logo depois daquele dia inteiro trabalhando com o Google Chrome travando o tempo todo, parece ser reconfortante. Todo mundo decide que vai ser uma pessoa melhor. Tem gente que até consegue e ao longo do ano dá aquela virada e acaba se tornando uma pessoa bem diferente do que era no 31 de dezembro do ano anterior. Eu acho admirável. 

Mas se você é, assim como eu, uma pessoa que quando chega em março já esqueceu metade das resoluções que fez para o ano novo e a outra metade ficou com preguiça de começar, sabe do que eu tô falando. Não adianta nada. 

Para o começo da década de 2020 (ok, a década mesmo só começa em 2021, mas é um número redondo tão bonitinho que vamos fingir que começa agora, tá legal?) eu decidi mudar de estratégia. Tem pelo menos um bom par de anos que sempre penso em melhorar, em fazer isso, aquilo, promessas de que vou ser assim ou assado e chega na hora de fazer um resumo do ano, a coisa ficou praticamente estável. Chega. Cansei. Não vou me cobrar tanto nesse nível não. Para 2020 eu resolvi mudar de estratégia.

Nesse ano novo pensei em ter novos ideais, mais fáceis de serem atingidos.

Em primeiro lugar eu não quero emagrecer, pelo contrário, espero engordar, quanto mais, melhor. Emagrecer não é fácil e se eu estou de boa com a saúde, então vamos engordar, é mais gostoso, é mais tranquilo e todo mundo sai feliz com uma pizza na mão (pode ser lanche também). 

Em segundo lugar, não vou me iludir querendo dinheiro. Não mesmo. Tomara que ano que vem eu ganhe bem pouco. Mas o suficiente. Ter muito dinheiro não deve ser fácil. Fora o tanto de imposto e juros que a gente paga por ter dinheiro a mais. Eu não sei como é isso na prática, mas deve ser horrível. Então que venha pouquinho, mas o bastante. 

Quem precisa de paz? Não senhor. Eu não pedi paz na virada. Tomara que ano que vem seja uma treta atrás da outra. Arrumar uma confusão por semana. Ta aí o Trump colaborando com a parte dele e arrumando confusão internacional. A gente que lute.

Saúde? Se tiver tudo bem, mas se não tiver, bom também. Não tendo que tomar uma benzetacil tá jóia. O que vier é lucro. E quem precisa de prosperidade? Imagina só? Prosperar dá trabalho, exige burocracia e como ser humano que sou, certamente que não estarei satisfeito com nada que atingir: “Ah consegui um emprego dos sonhos, bom, mas queria ganhar mais”. “Ah consegui trocar o carro, mas o IPVA do outro era mais barato”, “Ah mas o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil, mas e a Libertadores, cadê?” A gente nunca fica satisfeito com nada que vem. Prosperar é uma ilusão, será? Penso nisso uma outra hora.

Bom, podemos dizer que se formos com o pensamento de uma galera aí, já prosperamos muito. Ano que vem será de regredir um pouco. Faz bem ter uma alternância. *cof cof*

Resumidamente, é isso. Projetos e desejos simples e muito pé no chão. Qualquer coisa diferente disso já será bom demais. A saúde mental agradece e quando chegar no réveillon 2020/2021 posso respirar aliviado se tiver conseguido me manter ok, saudável e vivo. 

Feliz ano novo pra você que está lendo. Ou melhor, um razoável ano novo já está de bom tamanho, combinado?

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