Crônica – Hoje bati um papo com meu eu de 2010 e ele tinha razão

Tal qual 2020, em 2010 eu tinha um blog onde arriscava alguns textos, contos, historinhas e opiniões que ninguém pediu. De lá pra cá pouca coisa mudou.

Naquela época, eu era recém saído da faculdade, eu aspirava estar contribuindo para a internet de forma importante, querendo falar e ser ouvido, uma espécie de “guru” como diziam na época (acho que ainda hoje há quem diga e se considere isso, é mole?). Era o meu encantamento pelas redes sociais que começavam a se popularizar e faziam meu interesse por comunicação aumentar. Um lindo dia resolvi pensar sobre o futuro que parecia distante e diante de todo o cenário que se apresentava, escrevi um texto — bem simples, vale dizer — com o título de “Como será a comunicação em 2020?”. O blog eu já tirei do ar, mas achei curioso reencontrar esse texto e bater esse papo com meu eu de 10 anos atrás.

Na oportunidade eu tentava visualizar como o mundo da comunicação seria no futuro, que parecia super distante e catapimbas, chegou voando.

Como base para essas ideias, eu estava munido apenas meu entendimento raso de primeiros estágios em mídias sociais e os inúmeros artigos que eu lia em sites e publicações importantonas do ramo.

Resolvi reler essas ‘previsões’ para ver quantas acertei e admito que me diverti fazendo isso. Infelizmente acertei uma bem importante que considero preocupante, acertei parcialmente algumas engraçadas e passei longe de várias outras, como era de se esperar. Dá uma olhadinha no resultado disso:

Em 2010, eu sentenciava que os e-mails não chegariam saudáveis em 2020.

Os e-mails são muito utilizados atualmente, principalmente no âmbito profissional e creio que em 2020 eles continuaram sendo usados, mas possivelmente de maneira formal. Penso que as comunicações interpessoais ficaram a cargo das mídias sociais e a evolução das ferramentas de comunicação expressa a exemplo das ‘DM’ do Twitter.

Essa ainda não dá pra cravar o acerto, mas de uma forma ou de outra os e-mails realmente tiveram alguma queda no uso, embora ainda tenham um uso beeeem maior do que eu imaginava na ocasião.

Daí fui analisar as redes sociais. O trecho dizia:

No futuro, as redes sociais estarão muito mais presentes em nossas vidas e posso enxergar que hajam aprimoramentos no Facebook (que deve dizimar o Orkut) e Twitter. E é claro, que alguma grande ideia deverá surgir e ser a grande novidade em matéria de socialização via web. É possível que haja em breve alguma espécie de Twitter com mensagens de voz.

Aprimoramentos no Facebook e Twitter — CHECK

Fim do Orkut — CHECK

Grande novidade (TikTok) – CHECK

Nova ferramenta de socialização/Mensagens de voz — CHECK (Olá WhatsApp e seus derivados).

Ok, não precisava ser uma Mãe Dinah para acertar essas, mas até que fui bem, vai?

Entretanto, nenhuma palavra sobre vídeo e foto no estilo do Instagram. Uma pena. Passei longe de ser visionário nisso tudo.

E aí mais um um duro golpe na análise do pretensioso Raphael de 2010.

A crescente das mídias sociais e a capacidade de sintetizar das pessoas nos levam a crer que as pessoas irão falar menos nos programas de mensagens instantâneas. Conheço gente que não usa mais MSN, por exemplo, e prefere o Twitter. E eu vejo o Skype como um futuro. Ainda é muito pouco e mal utilizado, tem tudo para se tornar referência e implementar o VoIP com mais rapidez.

Dá até pra dar um ‘meio certo’ nessa. O Skype é mega útil, o Google Hangouts também, mas não chegam perto de outros fenômenos que surgiram depois. As pessoas ainda adoram messengers, vide a popularidade do “Zap Zap” e o do Telegram.

O texto segue com mais análises, nenhum grande acerto ou erro, apenas blá blá blá juvenil. Mas chega então o momento em que posso me gabar e lamentar um grande acerto.

As pessoas vão ficar mais criteriosas e se habituarão a filtrar as informações que lhe são relevantes e só receberão informações de conteúdos que lhe interessam. Penso que são dois pontos, um positivo e negativo. O positivo é que mais informações serão geradas, mais informantes e mais fontes serão criadas. O negativo, é que as pessoas são vão saber de coisas que querem, limitando a quantidade de informações novas que podem aprender e isso pode tornar nossa sociedade um tanto quanto alienada.

Bom, não preciso nem comentar, não é? Alguém aí quer arriscar como será 2030?

Publicação original feita aqui, em setembro de 2018

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