Crônica – Quarentena tá chata, né? Agradeça por isso

Muito ruim ficar em casa, pouca coisa pra fazer. Sem nada pra ver na televisão, a internet só tem gente brigando por BBB e/ou só se vê notícia ruim.

Pior ainda, não dá nem pra sair pra fazer um exercício físico. Com isso a gente só quer comer, comer, comer. Chato.

E quando você além de estar em casa, precisa trabalhar? Tá trabalhando muito mais do que trabalha no escritório, fala aí!

Chato.

Seus amigos todos reclamando que não tem mais o que fazer. O grupo do WhatsApp é só piada, Facebook também. Só meme. Só zoeira com idoso querendo sair. Mas já tá enjoando, né não?

Sabe onde não tá chato?
Na casa de quem tá desempregado e não tem perspectiva de voltar a trabalhar. E nem é pra voltar mesmo, infelizmente. Mas imagina o desespero dessas pessoas?

É muito mais chato ter isso e ainda ficar esperando que políticos façam alguma coisa para ajudar e um ou outro prefere perder tempo arrumando confusão em rede social.

Também está chato na casa de quem mora sozinho e não pode rever a família e tem que conviver com suas dores psicológicas.

Na casa de quem mora com mais de oito pessoas em um lugar pequeno em uma periferia, numa comunidade, num cubículo. E precisa ficar lá em isolamento social. Muitas vezes vendo o armário – que já não é abundante – esvaziar e não ter perspectiva de conseguir comprar mais comida para todo mundo.

Tá pior ainda na casa de pessoas nessas condições e ainda por cima sem água. É. Tem lugar que não tá chegando água, tá sabendo disso? Chato, de verdade. O combate ao terrível vírus é manter as mãos limpas, a higiene em dia. Mas nem isso algumas pessoas têm direito.

É terrível você PRECISAR sair para trabalhar sabendo que pode ser contaminado e colocar em risco a sua saúde e de toda a sua família.

Chato pra valer mesmo e triste, está na casa desse médico. Que tá sofrendo pra ajudar as pessoas doentes, pegou a doença e infelizmente acabou perdendo a mãe e a avó, por conta do seu ofício. Em 3 dias. 

Chato mesmo está para milhares de pessoas que estão sem ter certeza se o que elas têm é covid-19, H1N1, gripe comum ou “virose”. Pior ainda se elas precisão ir para o hospital. E o mais chato é que aparentemente ainda não é o pico da pandemia. A gente talvez nem esteja tendo dados o suficiente para saber quem realmente está ou não está com o coronavírus.

Chato está na casa daquelas pessoas que sequer puderam se despedir dos seus parentes. Que o velório tem que ser express, caixão fechado e com pouca gente. Não dá nem para assimilar direito a dor. Como foi o caso deste rapaz aqui, leia a história completa.

Chato está para médicos terem que escolher para quem vão dar os aparelhos necessários, para um infectado jovem ou um idoso? 

Todo mundo tá passando por alguma coisa ruim. Não dá pra ser diferente. Todo mundo precisa ceder. Todo mundo precisa se conscientizar.

É o momento de ajudar o próximo, de ser solidário. De ter respeito.

“As pessoas não querem esmola, querem emprego”. Não é a hora de negar ajuda a um irmão seu por sua ideologia política. É o momento de exercitar a sua caridade, a sua humanidade e caso você está no grupo de pessoas cuja a maior preocupação é qual tipo de passatempo você precisa arranjar para hoje a tarde, pensar em como você pode tentar aliviar os momentos ruins de pessoas que estão com problemas bem maiores que os seus.

Você não vai salvar o mundo. Mas pode começar tentando ajudar uma pessoa. Uma família. Uma comunidade (se você puder). E isso já é bom o bastante.

Existem várias formas de você colaborar.

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