Conto – O Kaká quer entrar

*baseado em uma história real acontecida em um outro 30 de junho…

Ricardo é um jovem entre 17 e 18 anos de idade, alto, cabelos pretos e corpo esguio. Vemos ele saindo do túnel do vestiário do estádio e caminha em direção ao banco de reservas. Ele usa um agasalho da seleção brasileira e por baixo o uniforme. Ele parece tenso, semblante preocupado. Não é o único, os companheiros de time também estão com a tensão estampada no rosto. Especialmente os que voltam para o campo. Ricardo ergue as duas mãos para o céu, olha pra cima e se senta no banco apoiando os braços no joelho enquanto assiste ao reinício da partida, vez ou outra leva a mão ao queixo, rói uma unha. Segue com olhar vidrado e não perde nenhum movimento. Segue atento, olhar fixo para o movimento da bola, de repente ele se levanta num impulso faz menção de levantar a mão, mas logo interrompe o que seria uma comemoração e leva as mãos a cabeça. Se senta novamente. Coça a cabeça, pega uma garrafa de água, bebe distraidamente e joga de volta ao chão. (…) 

Ricardo está com as mãos cruzadas sobre suas pernas e olha fixamente para o campo, um pouco a sua frente o treinador grita e gesticula,  ele se projeta um pouco pra frente e olha para o treinador. Retorna para sua posição no banco e balança as pernas rapidamente. Leva as mãos a cabeça e suspira forte. Mais uma vez retoma o olhar para o gramado. O seu olhar se torna arregalado, ele vai levantando aos poucos, cada vez mais rápido e finalmente explode em uma comemoração, abraça os companheiros, pula, grita e ergue os punhos. Volta a se sentar, dessa vez sorrindo, brinca com o companheiro sentado ao seu lado, ambos se cumprimentam várias vezes com euforia. (…)

Ele rói uma unha enquanto observa compenetrado para o gramado e arregala o olho. Faz uma careta e leva as mãos a cabeça. Volta a ficar estático olhando para o campo e novamente vai se levantando e é acompanhado por todos os colegas, todos estão de pé, olhares atentos e exultantes. Até que Ricardo e seus companheiros pulam de alegria e correm para a beirada do gramado para abraçar um homem careca  que correu na direção deles e Ricardo e seus companheiros formam um bolo de gente, todos pulam e comemoram. Ricardo dá tapinhas na cabeça do homem careca e é acompanhado pelos colegas. Todos voltam para suas posições, Ricardo vibra muito com um jogador ao seu lado e se senta (…).

Kaká final da Copa de 2002

Ricardo está sentado de forma relaxada observando o campo e segue sorrindo. Ouve alguém lhe chamar e se levanta, tira a jaqueta e vai em direção ao auxiliar técnico. Ricardo fica próximo dele, que lhe diz algumas palavras ao ouvido. Ricardo acena positivamente algumas vezes enquanto começa a puxar a perna direita para trás de seu corpo usando a mão. Se afasta do auxiliar e começa a dar piques sem sair do lugar. Em seguida põe as mãos na cintura e vai fazendo movimentos circulares. Se abaixa e vai alongando, se levanta rapidamente e mais um pique no lugar. Faz tudo isso sem tirar os olhos do campo. Mais uma vez o chamam e ele corre para a cabine do quarto árbitro, assina um papel e tão logo termina, começa a se movimentar de várias formas, o árbitro auxiliar encosta ao lado dele e o guia até a beirada do campo. 

Ricardo observa o jogo enquanto se movimenta de um lado pro outro, dando piques leves, a bola passa perto dele com um companheiro, ele aumenta a frequência dos movimentos. Ao lado dele está o auxiliar com a placa na mão, eles se entreolham, Ricardo ajeita a própria meia, olhos fixos no campo. Dá uma olhada para trás e vê seus companheiros no banco de reserva pegando bandeiras brasileiras, ele volta a ajeitar a meia e olha para o campo. Ele para de se mexer e agora observa estático o jogo no campo. Leva as mãos a cintura, passa a mão no rosto, faz mais um pique.  Ele se precipita e dá um passo em direção ao campo, o quarto árbitro o interrompe com a mão no seu peito. Ricardo fica estático e observa um companheiro seu segurando a bola no meio do campo. No gramado o companheiro é derrubado e o juiz apita. Ricardo se prepara para entrar, vê o juiz erguendo o braço.

Ricardo é empurrado por um companheiro que veste uma bandeira como capa e finalmente entra. Se mistura com outros jogadores com uma bandeira na mão e corre livremente pelo gramado com um enorme sorriso. Abraça outros jogadores. Se solta do abraço, olha para o céu, ergue as mãos e começa a chorar.

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