Crônicas

Diferente do que parece, nós ainda não superamos a pandemia da Covid-19

Nos últimos dias eu tive a oportunidade de ver pessoalmente e virtualmente como muita gente decidiu que a Covid-19 tinha passado.

Pude reparar em inúmeras pessoas fora de casa, comércio lotado, muitas fotos em lugares públicos e claro, aglomeração. Pra mim, pessoalmente, o pior mesmo foi em minha vizinhança onde pude ver vizinhos próximos fazendo uma FESTA lotada até altas horas, com a rua cheia, música alta e muita gente reunida.

É insuportável essa falta de perspectiva de quando tudo isso vai passar e quando a vida normal vai ser retomada, se é que vai. Mas eu realmente estranho como muita coisa está sendo normalizada, como tudo está reabrindo como se nada tivesse acontecido e a impressão que passa é que foi simplesmente porque o pessoal cansou.

Vencemos o vírus pelo cansaço? Não.

Eu trago aqui essa triste história de uma professora de Goiás. Ela tinha uma gravidez de risco, tava isoladinha há tempos com medo do coronavírus e fazendo o máximo possível para se proteger.

Alguns colegas resolveram fazer um chá de fralda SURPRESA pra ela e uma das pessoas tava com o vírus de forma assintomática e não sabia ainda. A professora contraiu o vírus, foi internada e morreu.

Camila tomou todos os cuidados e não saiu de casa durante a pandemia. No entanto, de acordo com o irmão Daniel Hélio Ambrósio, colegas de trabalho da professora fizeram um chá de fraldas surpresa na reta final da gravidez. Uma das participantes estava com Covid-19, mas ainda não sabia, pois não apresentava sintomas.

“Algumas conhecidas dela, amigas do serviço, fizeram um chá de fraldas surpresa, e uma delas estava contaminada e não sabia. Logo depois, ela ficou muito ruim e os familiares avisaram às meninas que participaram do chá. Infelizmente, minha irmã foi uma das infectadas”, contou o irmão.

Matéria do G1 que você pode ler na íntegra aqui.

Entenda: a pandemia não acabou e está longe de acabar.

Flexibilizar alguns negócios para a retomada gradual e restrita está sendo parte – concorde você ou não – e nem por isso que você precisa agir como se a vida tivesse continuado de onde parou em março. Não dá simplesmente para sair de casa para curtir a vida porque você “não aguenta mais” ou “acha que já melhorou”.

Passamos da triste marca dos 115 mil mortos no Brasil.

Estamos vivenciando a Europa enfrentando a segunda onda e fechando algumas coisas de novo.

Estamos inclusive vendo pessoas sendo recontaminadas na Ásia e em alguns lugares da Europa.

Cada um sabe de si. Mas enquanto eu puder ficar dentro da minha casa o maior período de tempo possível, eu vou fazer. Por mim, pelos meus amigos e por minha família.

Que Deus conforte a família da Camila e dê toda a saúde a bebê que teve o parto induzido para poder sobreviver. E que possa conscientizar um pouco das pessoas que não acharam por mal dar uma “furadinha na quarentena por uma boa causa”.

Boa causa é manter quem você gosta seguro.

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